A ergoespirometria, termo derivado da escola germânica, mais conhecido em nosso continente por teste ergoespirometria completa é um exame que consta na tabela da CBHPM com o código 41401034, é coberto por alguns planos de saúde na nossa cidade, dentre eles, Unimed, Cafaz, Camed ,Amil, Hapvida Sulamérica e Cassi, sendo os últimos dois em forma de reembolso.
Através da realização desta avaliação, que é a combinação da espirometria com a ergometria, temos como precisar com padrão ouro, ou seja, com uma grande fidelidade, dados como Vo2Máx e limiar anaeróbico.
Entende-se por Vo2 máximo o maior volume de oxigênio por unidade de tempo que o individuo consegue captar respirando o ar atmosférico durante o exercício, sendo alcançado quando se atinge níveis máximos de débito cardíaco e de extração periférica de oxigênio.
O Vo2 máximo tem como fatores determinantes sexo, idade, hereditariedade, treinamento de resistência aeróbica, poluição, altitude, doenças cardiovasculares e pulmonares.
O limiar anaeróbico é estabelecido no momento exato do exercício em que ocorre uma produção maior de gás carbônico em relação ao consumo de oxigênio. Podendo estes dados ser relacionados à velocidade em Km/h e em batimentos cardíacos por minutos.
Dispondo destas informações é possível para o médico do esporte, juntamente com outros dados clínicos e da história do paciente, prescrever atividade física com segurança, ao estabelecer uma zona alvo precisa para um treinamento visando a melhora da performance e/ou redução de massa gorda.
Quando comparamos o VO2 Máx, mensurados por teste indiretos (teste de 12 min., lactato, ergométrico, etc) ao encontrado por testes diretos (ergoespirometria) podemos encontrar diferenças de até 50%. Isto não denota falha do executante dos testes e sim dos métodos indiretos. Quanto mais sedentário for o paciente, verificamos que esta diferença torna-se mais significativa. Estas diferenças são inaceitáveis aos olhos da Fisiologia do Esforço e da Medicina Esportiva, quando utilizadas para prescrição de treinamento aeróbico, seja qual for a sua finalidade.
No Brasil existem cerca de dois mil serviços onde se realiza a ergometria, sendo no máximo de 1 a 2% destes equipados para executar a ergoespirometria. Para cada uma ergoespirometria realizada são feitas cerca de mil testes ergométricos no nosso país. Tal fenômeno pode ser explicado pelo alto custo dos equipamentos, desconhecimento por parte dos médicos e dos leigos das suas aplicabilidade e potencialidades, dentre outros fatores.
Na esfera desportiva de alto nível, onde os trabalhos mostram que a diferença de Vo2 Máx entre os vencedores e perdedores raramente excede 5%, não se faz sentido discutir potência aeróbica máxima se ela não tiver sido mensurada de forma direta pela ergoespirometria.
A sua aplicabilidade transcende o meio desportivo, pois é indicada para:
Ø Quantificar precisamente a condição aeróbica;
Ø Determinar o limiar anaeróbico;
Ø Mensurar resultados de intervenções terapêuticas sobre a capacidade de exercitar-se;
Ø Avaliar o inotropismo cardíaco ao esforço de modo não invasivo;
Ø Avaliar a relação ventilação-perfusão durante o esforço;
Ø Determinar a eficiência mecânica durante o exercício;
Ø Determinar a etiologia da dispnéia e da intolerância ao esforço dentre outros.
O ideal é que qualquer pessoa antes de iniciar um trabalho aeróbico, independente dos objetivos almejados, seja submetida a uma avaliação de um médico do esporte para mensurar de forma direta seu Vo2 Máx e limiar anaeróbico pela ergoespirometria, pois além de ter dados preciso para realizar o exercício, através da sua zona alvo, que respalda em cerca de 95% a não ter complicações cardíacas, dentre elas a morte súbita, durante as atividades físicas.
No nosso serviço realizamos a ergoespirometria pelos convênios citados acima e de forma particular, realizamos também mensuração de composição corpórea por cineantropometria e por bioimpedanciometria. Estamos em negociações com outros convênios para tornarmos estas avaliações acessíveis aos que buscam melhora da performance e/ou da qualidade de vida.
Flávio Henrique Macedo Pinto
CRM 5655
Médico do Esporte
Traumatologia e Ortopedia.
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